10/10/2008 Com dúvidas sobre como agir e se planejar diante da crise? Especialistas esclarecem os questionamentos mais freqüentes dos leitores. Confira abaixo as perguntas e respostas:
Provavelmente. Mas não existe consenso de que haverá aumento de preços. O Copom já vinha aumentando os juros e pode julgar que novos reajustes seriam um remédio amargo demais quando a economia mundial se desacelera. No curto prazo, economistas acreditam que o Banco Central pode segurar eventuais aumentos na taxa para evitar uma freada forte do consumo. Ou, no mínimo, tende a reduzir o ritmo de alta inicialmente previsto.
Porque não compraram os títulos podres que estão levando os bancos estrangeiros à falência. Isso ocorreu por que as instituições brasileiras preferiram apostar em papéis sólidos como títulos do governo, que apresentam retorno alto e com muito menos risco. Além disso, os lucros dos bancos brasileiros são invejáveis, mesmo com operações consideradas conservadoras para os padrões de Wall Street e, em razão disso, não sentiram necessidade de fazer as apostas arriscadas que levaram o sistema financeiro americano ao colapso.
Sim. Os efeitos já estão chegando ao consumidor. O custo de movimentação de dinheiro entre bancos está mais caro e este movimento tem reflexo imediato nos financiamentos
Devem ficar mais caros e com prazos menores. Mas economistas são unânimes em afirmar que os empréstimos não devem voltar ao passado, quando um financiamento era praticamente proibitivo.
Apesar do aumento do juros nesta semana, as taxas ainda estão atrativas na comparação com os últimos anos. Portanto, o consumidor não fará um mau negócio se assinar contrato nas próximas semanas. Se a crise americana se agravar, os juros vão continuar subindo. Caso o pacote do governo do EUA seja aprovado nos próximos dias, talvez o juro se estabilize até o início do ano que vem. Esperar significa se submeter a sorte aos próximos acontecimentos da crise - aos riscos.
Não há indicativo de que isso possa ocorrer. Mesmo que a crise se acirrasse, o Banco do Brasil, por ser público, resistiria mais do que outras instituições. Os bancos brasileiros não fizeram grandes negociações envolvendo títulos podres, cuja origem foram hipotecas norte-americanas, por isso estão suportando bem a crise. Mas algumas instituições financeiras internacionais com operações no Brasil podem ter escassez de recursos para emprestar, à medida que têm de enviar dinheiro ao Exterior, para cobrir perdas geradas nos Estados Unidos ou na Europa. Além disso, o CDB, como outras aplicações de renda fixa, é uma opção segura para o atual momento, diz Fernando Ferrari Filho, economista da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Os preços do mercado imobiliário estão bastante relacionados à disponibilidade de crédito. Não é esperado estouro de uma bolha imobiliária, como nos Estados Unidos, porque aqui já há mais controle sobre os financiamentos habitacionais (o descontrole nos Estados Unidos levou a explosão de compras e alta inadimplência, ocasionando a atual crise). O consultor Durval Pedroso se diz otimista e espera que haja estabilidade de preços no Brasil.
Fonte: Zero Hora
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